
Faxinas trazem recordações – sejam elas boas ou não.
Revirei a estante da sala e encontrei histórias, perguntas e respostas.
Beethoven e Bach, conservados na gaveta com os pagodeiros do Exaltasamba e Molejo, se recusaram a ensinar o clássico da música. Netinho, sem os pés no chão, sonha com as “mil e uma noites de amor com você”. Sonhava, antes de ir pra reciclagem.
Distante da música e do mal gosto, encontrei Drummond, Eça de Queirós, Machado de Assis, Rubem Braga, Mário de Andrade e muitos outros, sempre com Novos Contos (ou Contos Novos). Nomes da literatura que não procuravam ‘Um jeito bom de falar bem’, como faz Reinaldo Polito, eram capazes de extrair toda ‘A Arte da Guerra’.
Livros de Geometria Analítica e Delphi 2 perderam as contas de quanto tempo estavam esquecidos. Ao contrário dos livros ‘Amor é prosa, sexo é poesia’ e ‘Estação Carandiru’, que estão livres e ganharam um novo lar.
Fotografias dos tempos de criança (prometo divulgá-las em breve), disquetes (que já não tem onde enfiar – os computadores já não os reconhecem mais) e lâmpadas de natal que enfeitavam um espaço que ninguém vê.
Pingas adoeceram. Não encontraram o estetoscópio e o esfigmomanômetro a tempo e acabaram no ralo.
Sem pressa, boa parte da bagunça continua fora da estante. Boa parte nem voltará. Doarei livros à biblioteca do Ribeirão Em Cena, CDs ao Sebo Cauim e as recordações… Ah, estas ficam na memória! Talvez elas se apaguem um dia, mas o blog está aqui pra me lembrar.
E você? O que tem na sua velha estante? O que jogaria fora? Há boas lembranças? Algo a doar?